segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

ISLÂNDIA (6ºdia): Mývatn - Krafla - Detifoss - Egilsstadir - Seydisfjordur

















































O 6º dia de viagem foi reservado para conhecer Mývatn. Trata-se de uma região absolutamente encantadora e um dos locais com maior potencial geotérmico no norte da Islândia. Mývatn é um verdadeiro paraíso para amantes de birdwatching e acolhe a preferência entre os Islandeses como destino de férias. Os pontos de interesse são variadíssimos, com a vantagem de distarem poucos quilómetros entre si.

A sul do Krafla, um dos maiores vulcões do país, encontramos uma série de formações  e manifestações vulcânicas de elevado interesse e importância, desde logo o lago Mývatn. O lago deve a sua origem a uma enorme erupção fissural, ocorrida há cerca de 2300 anos, que originou uma escoada basáltica de tal envergadura que alterou por completo toda a paisagem, antes de precipitar-se no oceano árctico a mais de 50 km de distância.






















À chegada a Mývatn decidimos contornar o lago pelo sul, na N848, pois é ao longo desta estrada  que se concentram alguns dos principais pontos de interesse na região. A primeira paragem foi em Skútustadagígar, com o propósito de conhecer as pseudocrateras. Estas estruturas, localizadas nas margens do lago, são resultantes de um fenómeno geológico raro. Apesar da semelhança destas com as tradicionais crateras vulcânicas, estas estruturas nunca emitiram qualquer tipo de material magmático. A sua origem deve-se a explosões de vapor de água provocadas pela passagem de lava sobre uma superfície rica em água, moldando, desta forma, as escoadas basálticas.





Assim que saímos da autocaravana fomos atacados por uma quantidade inacreditável de mosquitos, e foi aí que percebemos bem o significado de Mývatn ("lago dos mosquitos"). Dirigimo-nos para as pseudocrateras e, felizmente, os mosquitos ficaram para trás. Mesmo ao lado do parque de estacionamento tem início um percurso pedestre que contorna algumas pseudocrateras, ao mesmo tempo que proporciona aos visitantes perspectivas deslumbrantes sobre  estas estruturas, o lago e a sua avifauna.

























Algumas pseudocrateras podem ser contornadas a pé, pelo bordo superior.













































Esquema representativo das pseudocrateras e dos trilhos disponíveis.






































Continuámos o nosso roteiro até Dimmuborgir, uma das atracções mais populares na zona de Mývatn. Aqui existe um grande campo de lava com belíssimas e exuberantes formações de basalto, resultantes de uma erupção há cerca de 2000 anos. Os vários percursos existentes no local, (uns mais longos, outros mais curtos), devidamente assinalados e documentados, permitem aos seus visitantes decidir o que ver, de acordo com a sua capacidade e disponibilidade de tempo.


















































Estes amontoados exuberantes e de tamanho incomum resultaram da explosão de um tubo de lava de enormes proporções, após o contacto da escorrência da lava com a água de um lago.






















Na zona mais elevada de Dimmuborgir é bem visível Hverfjall, um vulcão do tipo explosivo.




























Após uma bela caminhada entre as formações de lava, partimos em direcção à impressionante cratera vulcânica de Hverfjall. Esta cratera cónica, uma das maiores de tipo explosivo no mundo, é um elemento distinto na paisagem e um local de paragem obrigatória. Sabíamos que a subida ao topo da cratera e o contorno da mesma era possível e, como tal, estávamos ansiosos por concretizar mais este objectivo! A subida é acessível, embora muito íngreme e, por isso, fisicamente exigente! Mas o esforço vale bem a pena! O desnível entre a base do cone e o topo é de quase 100 metros e o contorno da cratera tem uma extensão de 3,2 km. Ficamos impressionados com a grandiosidade desta cratera! O vento que se fazia sentir no topo era quase insuportável, mas tal não impediu a contemplação e admiração desta maravilha!


O cone piroclástico de Hverfjall.























O acesso ao vulcão faz-se através de uma estada de gravilha. São bem visíveis, nas margens, rochas e cinzas vulcânicas.





























Uma pequena pausa a meio do percurso, para descansar e observar a paisagem. Apesar de curta em extensão, a subida apresenta uma inclinação bastante acentuada.


Pormenor dos piroclastos que compõem o cone de Hverfjall.




Os gémeos em plena descontracção, a pular entre as rochas. Qualquer local é um recreio! 

O lago Mývatn, em destaque. Rochas e cinzas vulcânicas, crateras, vegetação rasteira e escassa e abundância de água. Um retrato perfeito da Islândia!

Fotografia panorâmica do interior do cone. Estas imagens ficarão gravadas na nossa memória para sempre! Sem dúvida, um mundo à parte!














Detalhe de uma vertente da cratera. 


























O percurso ao longo do bordo superior do cone tem pouco mais de 3 km. As perspectivas da envolvente são absolutamente fabulosas!! 























Para mais tarde recordar! O vento que sentimos no topo do cone era de tal forma intenso que mal conseguíamos segurar na máquina fotográfica ou no telemóvel. 


De regresso ao conforto da autocaravana, decidimos almoçar ali mesmo, no sopé deste incrível vulcão. No final do almoço seguimos em direcção a Grjótagjá, uma gruta  de águas termais que, durante décadas, foi um destino muito popular para banhos. Durante a última série de erupções do Krafla, entre 1977 e 1984, gerou-se um enorme fluxo de magma na região que resultou no aumento da temperatura da água das grutas até aos 60ºC, tornando-as impróprias para utilização. Actualmente a temperatura da água ronda os 43-46ºC. O banho é expressamente proibido e a entrada faz-se por conta e risco do visitante, dado o elevado risco de queda de rochas. Grjótagjá ganhou enorme fama, nos últimos anos, por ter servido de cenário para algumas cenas da série televisiva "A Guerra dos Tronos".


São evidentes os sinais de actividade sísmica. A gruta situa-se debaixo desta
enorme fenda, daí o enorme risco para quem as visita.






































A fenda mais em pormenor. Ao fundo é visível o vapor de água proveniente das 
águas quentes da gruta.







































As águas azuis e cristalinas de Grjótagjá são, de facto, quase irresistíveis.




















































A cerca de 3 km deste local encontrámos o Mývatn Nature Baths, um complexo termal em tudo similar à Blue Lagoon, embora de muito menor dimensão. O dia estava frio e convidativo a um banho quentinho, mas optámos por seguir viagem pois havia ainda muito para visitar durante a tarde.


À nossa volta está tudo em ebulição, literalmente! As águas quentes do lago azul e o vapor que sai das chaminés da central de Bjarnarflag são sinais do potencial geotérmico de Mývatn.
























A água desta lagoa tem origem no furo da central de  Bjarnarflag. Captada a 2500 metros de profundidade, atinge a superfície a 130ºC. A sua composição química traz benefícios para a pele e para algumas afecções respiratórias.


























O cenário em redor dos Mývatn Nature Baths. Solo escuro, vegetação praticamente inexistente e completo isolamento! 



























Um pouco mais à frente, ao lado da N1, surge Námafjall, ou Hverir, uma extensa área geotermal de elevada temperatura (a 1000 metros de profundidade a temperatura é de 200ºC), onde encontramos um grande número de fumarolas e poços de lama quente.  A envolvente é completamente surreal, em vários tons de laranja, e as colunas de vapor uma presença constante. O odor, muito característico, deve-se à elevada quantidade de sulfato de hidrogénio libertado pelas fumarolas, e é absolutamente intenso. De repente parece que chegamos a outro planeta!!! A paisagem é incrível, diferente, estranha, única!!

A estrada para Marte! 













































Poços de lamas em ebulição são uma das imagens mais comuns de Hverir.

























































































A cor dos depósitos visíveis nas rochas permitem identificar os minerais presentes. Aqui encontramos Ferro (Fe).























O amarelo identifica o Enxofre (S).



























Há quem opte por manter os sapatos limpos e permaneça neste balcão, de onde é possível ter uma boa perspectiva de Hverir.


























Há vida em Marte!




















































De regresso à estrada, desviamos pela N863 em direcção ao Krafla, que se situa a apenas 7 km a norte da Ring Road. Pelo caminho encontramos o chuveiro perpétuo, uma espécie de "obra de arte" contemporânea, que apresenta um fluxo contínuo de água quente. Inusitado, no mínimo!!


Vamos a banhos? 






























































O Krafla é um vulcão activo, colapsado, com uma caldeira de 10 km de comprimento e 2km de profundidade, localizado na confluência das placas tectónicas americana e euroasiática. O seu pico mais elevado atinge os 818 metros e a totalidade do sistema vulcânico uns impressionantes 25 km de diâmetro. Há registo de 29 erupções, ao longo da história, das quais se destacam os Mývatn Fires de 1724 -1729 e, mais recentemente, as erupções de 1975- 1984. Um dos destaques deste sistema vulcânico é a cratera Viti, uma das mais famosas na Islândia. Esta cratera explosiva, com cerca de 300 metros de diâmetro, formou-se durante as erupções de 1724 e registou actividade durante mais de um século, com lamas em ebulição no interior da sua caldeira.

Viti significa inferno. Em tempos acreditava-se que o inferno estaria debaixo das crateras. A água adquire várias tonalidades de azul, de acordo com a  perspectiva.






















A uma curta distância deste local existe a maior central geotérmica da Islândia. Construída em 1975, a unidade geotérmica de Krafla tem uma capacidade instalada de 60 MW e conta, actualmente, com 33 poços  Um dos poços existentes nesta central atinge directamente o magma e é considerado o poço geotermal mais quente do mundo (430ºC)! O início da produção de energia esteve em risco, devido a um período de vários anos de intensa actividade sísmica, mas acabou por acontecer em 1978.
























Para o final da tarde estava reservado um dos pontos altos de toda a viagem, a visita a Dettifoss. A maior e mais potente queda de água da Europa, parte integrante do Parque Nacional de Vatnajokull, tem 100 metros de largura e faz jus a esse título. É absolutamente impressionante!!! A centenas de metros do local, no horizonte, é bem visível uma expressiva quantidade de spray, anunciando a dimensão do fenómeno. São mais de 193 metros cúbicos de água por segundo a precipitar-se numa queda de 45 metros de altura. O ruído é assustador e a imagem do fluxo vertiginoso da água é algo que não se consegue explicar!
























A toda poderosa Dettifoss!! Estar ao pé desta queda de água colossal é uma sensação incrível!!



























































































A água flui do glaciar Vatnajokull e dá origem ao rio Jokulsá á Fjollum, o segundo mais extenso da Islândia, com 206 km de comprimento.























Mais a norte, Selfoss, uma queda de água igualmente bela, embora incomparavelmente menos poderosa que Dettifoss.























Saímos de Dettifoss com a noite a chegar. Pela frente tínhamos "apenas" cerca de 190 km até Seydisfjordur, uma pequena e bastante remota cidade da zona leste da Islândia (região de Austurland) localizada na parte mais interior do fiorde com o mesmo nome. Com a estrada praticamente deserta, a permitir velocidades de cruzeiro elevadas (mas dentro dos limites legais!), demoramos pouco mais de 2h30 até ao destino. Chegamos ao camping de Seydisfjordur bem perto das 22h e foi com alguma dificuldade que conseguimos arranjar local para estacionar. O parque estava completamente lotado, para nosso espanto! Chegara, assim, ao fim mais um dia memorável!

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